Cientificamente revisado em 06/09/2022 por
Dr. Jairo Alberto Dussán-Sarría
Pesquisador no Instituto INERVA
A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente (perdendo apenas para a doença de Alzheimer), com prevalência no Brasil de até 5,7% dos maiores de 60 anos de idade. Nesta condição, as células do cérebro envolvidas nos circuitos de controle e coordenação dos movimentos se deterioram, na maioria das vezes, por causas não esclarecidas. Os pacientes manifestam dificuldade para realizar alguns movimentos, progredindo gradativamente para lentidão ou congelamento dos mesmos. Nessa busca pelo controle do seu próprio corpo, aparece o característico tremor em repouso, mas também a perda da olfação, quedas frequentes, constipação, ansiedade e depressão. Esses sintomas não relacionados ao controle dos movimentos podem ser tão angustiantes quanto a possibilidade de “ficar travado”.
Independente do controle dos sintomas relacionados ao movimento, a progressão da doença de Parkinson pode acontecer a ritmos variáveis e imprevisíveis para cada paciente. Em alguns casos, além do componente motor, podem aparecer outras manifestações neurológicas e psiquiátricas de difícil controle que deterioram significativamente a qualidade de vida, como perda da memória e diminuição das capacidades cognitivas, que podem levar a alucinações. O esforço físico e emocional para realizar tarefas cotidianas torna-se maior, gerando fadiga, ansiedade, apatia ou até depressão. O deterioramento do sistema nervoso, assim como o sistema muscular enrijecido, podem causar fortes dores crônicas, e atingir outros órgãos, acompanhando-se de constipação, problemas urinários, disfunção erétil e dificuldade para se alimentar.
Se olhar no espelho e aceitar que algum desses sintomas pode ser o primeiro sinal de uma doença degenerativa, é muito angustiante, mas é importante lembrar que existem profissionais da saúde dedicados à investigação diagnóstica e acompanhamento de pessoas que sofrem destas condições. Consultar um médico neurologista é chave nesse processo, pois existem outras enfermidades que podem assemelhar os sintomas da doença de Parkinson, mas que apresentam evolução e tratamentos diferentes. Consultar profissionais da saúde mental é fundamental para desde cedo identificar possíveis alterações, e se munir de ferramentas para enfrentar os desafios vindouros nas melhores condições possíveis.
Uma vez realizado o diagnóstico, é importante continuar em movimento: atividade física, fisioterapia, terapia ocupacional e fonoterapia permitirão fortalecer o corpo, a voz e o espírito para ir longe nessa caminhada pela saúde. Conforme as manifestações da doença se acentuam, e impactam a qualidade de vida do paciente e sua família, pode ser necessário adicionar medicamentos ao arsenal terapêutico. A lista de possibilidades de tratamento com medicamentos é ampla, e demanda expertise para uma adequação às necessidades de cada paciente. Alguns medicamentos para o tratamento dos sintomas motores da doença podem causar tontura, náusea ou mal estar estomacal. Com o tempo, a efetividade dos mesmos pode diminuir, e a presença de efeitos adversos limitar um adequado ajuste nas dosagens necessárias. Para esses casos, existem alternativas sem medicamentos, que podem envolver ou não procedimentos cirúrgicos.
Para pacientes com tremores ou sintomas motores de difícil controle, uma alternativa é a cirurgia. Os procedimentos geralmente propostos consistem em realizar pequenas lesões em regiões específicas do cérebro, visando a melhora de sintomas como tremor. Outra alternativa, o “marcapasso cerebral”, também conhecido como Estimulação Cerebral Profunda, consiste no implante de eletrodos dentro das regiões do cérebro relacionadas ao controle motor. Além dos riscos próprios da cirurgia, embora baixa, existe também a possibilidade de outros efeitos adversos, como alterações na fala, nas habilidades cognitivas, na marcha, ou no comportamento.
Nos pacientes que sofrem de sintomas de difícil controle, mas não estão aptos ou não desejam se submeter a um procedimento cirúrgico, hoje existe a possibilidade de realizar a estimulação de regiões do cérebro, sem cirurgia, sem cortes, e sem precisar de anestesia. Se trata da Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), que é uma forma de estimulação cerebral não invasiva que já é aprovada e amplamente usada nos Estados Unidos e no Canadá. Além do auxílio no controle dos sintomas motores (tremores, articulações enrijecidas, dificuldade na marcha), a EMT também auxilia na melhora dos sintomas de depressão, insônia e dor crônica. Diversos estudos no mundo têm demonstrado que além das melhoras clínicas, a EMT promove regeneração e formação de novas conexões neuronais, fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
A EMT emprega um gerador específico que é posicionado muito próximo da cabeça do paciente. Ela entrega pulsos magnéticos de intensidade e frequência específicas, direcionados às regiões do cérebro responsáveis pelos sintomas predominantes de cada paciente, modulando o seu funcionamento. Numa sessão típica, após medições e correto posicionamento na cabeça do paciente, são entregues centenas de pulsos magnéticos durante aproximadamente 20 minutos. Com 10 a 20 sessões diárias, o paciente já pode experimentar melhora importante dos seus sintomas, passando depois só para eventuais sessões de manutenção. Não precisando de medicamentos ou injeções, não é necessário nenhum preparo específico, nem jejum, e logo após o paciente é liberado para continuar suas atividades cotidianas. Durante o tratamento, é possível experimentar sensações que não passam de formigamento no couro cabeludo. Desta forma, é possível otimizar as doses dos medicamentos e os resultados da fisioterapia enquanto o paciente faz tratamento com EMT. A continuidade dos cuidados, e ocasionais sessões de manutenção com EMT permitem obter ganhos duradouros diminuindo a velocidade de progressão da doença.
No Rio Grande do Sul o Instituto de Neuromodulação e Reabilitação Avançada – INERVA, com sede em Novo Hamburgo, conta com equipe multidisciplinar com treinamento internacional, tecnologia de ponta e experiência na administração de terapias de Neuromodulação Cerebral não Invasiva para auxiliar pacientes com diferentes condições neuropsiquiátricas.